3º dia SPFW Inverno 2016

13:40:00

  O terceiro dia foi um dos mais agitados da semana de moda de São Paulo. O primeiro desfile foi o do estilista Reinaldo Lourenço, mas antes tive vários compromissos na parte da manhã. Nesse post vou mostrar um pouco do lounge da Revista Glamour e os desfiles do dia.



  Meu Look

  O look escolhido foi essa capa e sapato da estilista Gloria Coelho e mochila Corello.






  Por dentro do lounge da Revista Glamour

  Com ares de salão de beleza dos anos 50, o lounge da Glamour estava um charme. Quem assinou a cenografia foi a Camila Salek.   

Com a linda Gabi Pugliesi









  Agora minhas 5 escolhas dos desfiles que aconteceram no terceiro dia:

  

  REINALDO LOURENÇO

  Em julho passado, Reinaldo Lourenço passou 15 dias viajando por Portugal. Ficou apaixonado pelo que viu em pequenas cidades como Viana do Castelo, Minho, Sintra, pelo clima desértico do Alentejo, pelas cidades maiores como Porto e Lisboa. “Tirei duas mil fotos”, contou, no backstage antes do desfile. E criou a coleção para o Inverno 2016.
As referências portuguesas, na versão de Reinaldo, ganham uma outra estética. “Peguei o dia a dia, o folclore, e transformei em algo supercontemporâneo. Sou assim, só consigo olhar para frente”, diz. Os azulejos portugueses, então, ficaram mais gráficos, as noivas de Minho, que só vestem preto, inspiraram os chiques conjuntos de veludo, as tiras dos trajes portugueses típicos caíram como luva no trabalho de tiras que Reinaldo já faz, numa nova versão, os aventaizinhos apareceram intepretados em vestidos de veludo com renda bordada por baixo. O shape traz alguns momentos de saias rodadas, mas de maneira geral a silhueta é slim, com saias midi, calças retas, belas camisas estampadas e jacquards inspirados nos azulejos em casacos e paletós de corte impecável, daqueles que valem o investimento e valorizam qualquer produção.








  SAMUEL CIRNANSCK

  Para celebrar os 15 anos de sua marca, Samuel tem uma inspiração simbólica: luz. Seu conceito de luz envolve amor, realizações, saúde, prosperidade, fortuna, felicidade. Suas roupas também trazem luz na forma de cristais cuidadosamente bordados em vestidos para diversas ocasiões de festas e celebrações – da debutante a noiva. Os looks pretos que abrem o desfile, com transparências localizadas, trazem um ar contemporâneo à coleção, que embarca em uma cartela de cores suave com tons como pele, rosa e azul claros e bem delicados. Destaque para os luxuosos looks com mangas de plumas (10 e 12). No final, uma série de noivas fecha o desfile e são  interessantes os modelos com efeito queimado, que trazem um aspecto novo e incomum à roupa de festa.








  APARTAMENTO 03

  Em uma viagem de Eurostar de Paris a Londres, Luiz Claudio viu na TV do trem a notícia de que Caitlyn Jenner estava na capa da “Vanity Fair”. Então ele fez o link com Londres e se lembrou de Orlando e Virginia Woolf. “Em 1929, Virginia já tinha pensado nisso e hoje tem uma pessoa assim na capa de uma revista importante. E isso é lindo”, contou em um papo no backstage.
Luiz começou a pensar de onde partiria para criar a coleção. “E se Orlando me encomendasse um guarda-roupa? E se ele viesse para a prova de roupa como mulher e pegasse a roupa pronta como homem? Sabe, essas pessoas existem.” Luiz Claudio não pensou em feminino e masculino, e sim no Orlando como Virginia Woolf escreveu: um jovem inglês que nasce homem e, durante uma viagem à Turquia, acorda mulher. A história lida com a ambiguidade e com a questão da identidade de uma forma natural. E, também dessa forma, sem julgamentos, Luiz conduziu seu processo criativo.
Dá pra ser leve e bold ao mesmo tempo? A Apartamento 03 é assim. Todas as peças têm texturas e informação, sobreposições, bordados e amarrações, mas nada pesa. Ao mesmo tempo são roupas e looks que não passam batido, têm personalidade e força. Vale destacar o trabalho precioso dos bordados e aplicações de pedrarias, franjas, brocados que percorrem camisas, casacos e vestidos, de um pequeno (mas importante) detalhe até cobrir um look inteiro.
A camisa, uma peça importante para Orlando, aparece com um trabalho interessante nas mangas e com os laços enormes no pescoço. E os robes também marcam a coleção, representando o momento em que ele acorda como mulher. Por sinal, essas estão entre as peças mais bonitas da coleção, pois trazem um charme na forma displicente como são usados, mesmo nos momentos mais luxuosos.








  COVEN

  Cult é a palavra-chave desse 1º desfile da Coven no SPFW (a marca desfilava no Fashion Rio), de outono-inverno 2016. Ela mora rodeada por tapeçarias de Genaro de Carvalho, colagens do Cecil Touchon, pinturas do Le Corbusier e ainda não tira o vinil da Laurie Anderson da sua vitrola retrô-moderna – uau! Elegante com essas tiras longas (que consequentemente alongam a silhueta) de tricô, na blusa de gola alta com a manga que sobra e cobre a mão e na calça mais comprida, a manta com figuras abstratas jogada no ombro… e olha que esse é só o 1º look! O comprimento é, em grande parte da coleção, mídi – e vamos democratizar logo o mídi, liberar pra todo mundo. Ele achata? Verdade: mas a moça cult não está preocupada com isso, né? Acho que nem a fashion…
A ideia é que, além dessas obras de arte, parte do décor dessa casa da década de 60 vá pra roupa: aqueles tapetes xadrezes de material mais rústico (inclusive com o couro da poltrona no bolso), os veios da madeira (jacarandá, tá?), o cobertor felpudo (em cores deliciosas, tipo laranja claro com marrom, ou azulão com vinho). Os acessórios, parceria com Luisa Velludo, são geométricos-concretos – se você deixá-los displicentemente em cima da mesa de centro, viram objetos de arte instantâneos. Outra novidade boa que quebra um pouco o clima cheio de referências refinadas e aproxima mais da roupa do dia-a-dia é o jeans – jeans mesmo, não é um “tricô de jeans” do tipo que a marca mineira costuma cometer! Trata-se de uma parceria com a Carrera Jeans, na qual as peças ainda recebem detalhes de tricô que dão todo um charme especial. O resultado é pra uma mulher tão interessante que todo mundo vai querer ser ela, ou conhecê-la!








  HELÔ ROCHA

  Ponto de partida da coleção, a viagem a Alto Paraíso de Goiás, que Helô Rocha fez com sua assistente de estilo, Camila Pedroza, foi motivada pela amiga de Helô, a modeo Lea T., que depois de visitar o lugar resolveu morar um tempo por lá. “Ficamos na casa de uma amiga e eu ajudei Lea na mudança”, conta a estilista. Durante os dez dias que ficou na cidade, Helô entrou em contato com o artesanato local e o mood boho místico que deu continuidade ao estilo que a designer já havia começado a imprimir no verão, com o tema dos orixás, quando ainda desfilava como Têca.
O grande destaque da coleção são as peças confeccionadas artesanalmente separadas e depois costuradas com ponto cruz para formar a muitos dos vestidos, macacões, saias e tops da coleção, com mix de diferentes materiais, como python, couro com elastano, rendas variadas, tecidos tecnológicos, georgete e devorês, vários juntos numa mesma peça.
Com novo nome (o próprio nome da estilista, sem o acento circunflexo), a nova grife deixa de lado o estilo girlie e as estampas que fizeram o sucesso da Têca e foca no caráter sofisticado do high fashion, com vestidos e peças que olham para a moda festa. “Sinto que as marcas entre o high e o fast fashion [como a Têca] ocupam hoje um lugar difícil”, acredita. Por isso, Helô resolveu elevar sua moda um patamar acima, se concentrando no trabalho handmade sofisticado, que é o que já vinha sentindo vontade de fazer.








  Snap do terceiro dia




  O que acharam do terceiro dia dos desfiles? Deixem os comentários aqui que responderei todos!!!
  Beijos....


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