Último dia SPFW Inverno 2016

14:35:00


  Último dia...apesar de cansada pela correria que foi a semana da SPFW, sempre dá aquele aperto no coração. Uma semana intensa de muito trabalho, muitas informações e muitos amigos e contatos novos.
  Esse dia antes de ir assistir aos desfiles estive presente no lançamento da coleção das bolsas da Fellipe Krein por Paloma Bernardi em um dos showroons mais incríveis de São Paulo, o Fashioroom. A coleção sempre com design incrível.










  Saindo do showroom fui direto para Bienal para assistir os desfiles ...



Com as lindas Maria Flor, Camila Amaral e Van Duarte

No lounge do Iguatemi São Paulo

Com Alessandra Cozzi

No lounge da Revista Glamour
  
Meu Look

  O look escolhido foi esse vestido com uma pegada retrô lindo da Maracujá e sandália e bolsa Corello.







  Agora cinco escolhas que mais amei de cada desfile:


  GIULIANA ROMANO

  Giuliana Romanno mostrou sua coleção de inverno na galeria Rabieh, nos Jardins, um espaço pequenino, intimista e com uma bonita luz natural.
Assim, Giuliana não teve outra opção a não ser fazer um desfile igualmente pequenino e intimista: apenas 50 convidados e 17 looks. As clientes e buyers viram o desfile em outras exibições, preservando o clima petit comitê.
  Para um profissional de moda assistir a um desfile de uma marca detalhista como Giuliana Romanno, esse é um esquema dos sonhos. Focado, sem auê de primeira fila (ok, faz parte, mas…) e com a possibilidade de ver – com calma- look por look bem de perto e sob uma luz clara.
  Assim, não perdemos um detalhe de sua alfaiataria bem construída, ou melhor, desconstruída, seus vazados geométricos que estão por toda a coleção, as camisas leves e translúcidas, o veludo cortado a laser, as amarrações nas cinturas e punhos, as fendas e os recortes, tudo super bem editado com a ajuda do olhar do stylist Pedro Sales. Peça desejo: seu novo terno, que faz as vezes de capa.
  Giuliana disse que pensou em uma mulher livre, que transita por várias atmosferas, uma pirata urbana, com o espírito dos antigos corsários. O desfile é a cara dela, uma evolução clara dos elementos que têm construído seu DNA. Giuliana mostra peças que têm informação de moda e também são boas como produto. Uma opção contemporânea para a mulher de hoje, que gosta de moda e não tem tempo – nem vontade – de ter ideias mirabolantes pensando no que vestir.








  PATRICIA VIERA

  É sempre impressionante ver o que Patricia Viera é capaz de fazer com o couro. Ela não só cria aspectos de outros tecidos como dá à pele uma maleabilidade e uma leveza surpreendentes. Nobre e com vários efeitos, o material então é sempre o protagonistas das roupas, bonitas e especiais com modelagens tradicionais, dos vestidos cinquentinha com top justinho e saia rodada aos curtinhos retos e casacos e jaquetas sempre muito desejáveis. Para o inverno 2016, Patricia caprichou também nas saias mais ajustadas de comprimento midi e nas calças flare. Inspirada pelo deserto do Atacama (não à toa a passarela era de sal grosso, alusão ao deserto de sal do Chile), ela criou bonitas estrelas de couro, aplicadas em dois bons vestidos transparentes, um tipo chemise branco, outro longo preto de mangas compridas.
  Entre as várias técnicas artesanais aplicadas, destaque para as peças feitas a partir de tiras de couro de diferentes cores, como o vestido sessentinha em preto, marrom, bege e verde, e que, costuradas, lembram blocos de encaixe muito chiques.  Os couros com efeito de jeans empoeirado de areia de deserto com brilho levemente dourado do look com calça flare de cintura alta + jaqueta justinha e o vestido justo de alça com comprimento midi saltam aos olhos, assim como o conjunto azul clarinho de calça e blusa com fundo bege vazado de pequenos hexágonos acompanhados de print de estrelinhas douradas. Um mimo.
  Nas colaborações de estamparia, a artista plástica Klaucia Badaró assina a pintura à mão das listras coloridas com efeito meio aquarelado que fazem referência à tapeçaria chilena. Já ilustradora carioca   Clara Veiga desenhou à mão, com caneta bic,  o céu do Atacama num casaco.
Mal as modelos saíram da passarela, foi iniciada a cerimônia de entrega do título de Professora Honoris Causa a Patricia Viera, na sala onde aconteceu o desfile, na faculdade Belas Artes. O evento, que durou cerca de quarenta minutos, teve vídeo com depoimentos sobre a estilista, o hino nacional tocado e discurso de Paulo Borges e Marília Gabriela, amiga da designer. 








  WAGNER KALLIENO


  Wagner Kallieno se inspirou no movimento glam rock surgido no final dos anos 60, início dos anos 70 para sua coleção inverno 2016.
  David Bowie, T Rex e Siouxsie and the Banshees são as inspirações musicais do estilista que trouxe muitos vestidos metalizados, estampas de animais e detalhes em metal em mini saias.
A alfaiataria aparece em trench coats usados como vestido com aplicações em vinil.








  RATIER

  A estreia da Ratier trouxe um clima minimalista industrial ao São Paulo Fashion Week. Passarela com chão de fumaça branca, coleção quase total black, o streetwear fashionista apoiado no menos é mais com pegadas de design vanguardista ao estilo dos japoneses marcou o Inverno 2016 da marca criada há menos de um ano (em novembro de 2014) pelo empresário e dono do D-Edge, Renato Ratier.
  A inspiração de Ratier eram os guerreiros, e apareceu nas peças de couro que caracterizam a grife desde sua coleção de lançamento (esta é a terceira), que vinham sem acabamento, como se fossem peles de animais rasgadas. A gola grande do casaco masculino aparece assim, as barras das blusas tipo túnica também. A silhueta é alongada e levemente deslocada tanto no feminino quanto no masculino, com tops compridos, tipo túnicas, tanto no caso dos casacos como dos coletes e blusas. Os acabamentos pontudos e assimétricos das barras e mangas seguem a mesma ideia da roupa de batalha vinda do tema da coleção, que além do couro, traz boas peças de linho, seda, e alfaiataria. O tricô aparece bem espesso e texturizado tanto nas pelerines fechadas, tipo casulo, quanto na blusa tipo colete vermelha e preta.
  Para as mulheres, destaque para os vestidos retos, de linhas simples, de couro com textura e linho. Para os homens, os maxicoletes e blusas tipo túnica são muito cool e uma proposta de moda masculina que anda em falta no mercado brasileiro. 








  COLCCI

  “Sem Gisele, o foco foram as roupas, e isso é bom”, disse a diretora criativa Adriana Zucco no backstage, logo após o desfile. Todos amam Gisele, incluindo a Colcci, que tem contrato de campanhas publicitárias com a top por mais duas estações (a despedida das passarelas da marca aconteceu na edição passada do SPFW). Mas é fato que, sem Gisele – um evento em si -, sobra mais espaço para falar da coleção para o Inverno 2016.
  No desfile, com modelos como Thairine Garcia, Aline Weber, Waleska Gorczevski, Dani Witt e Isis Bataglia, a Colcci reafirma uma equação de moda que tem dado bons resultados há muitas edições, e que virou sua marca registrada: um streetwear rigoroso graças ao mix com alfaiataria e shapes estruturados, com pegada decorativista cuidadosa e esperta, que dá bossa e descontração às peças que podem ser usadas tanto pelas garotas e garotos jovens, target da grife, quanto por um público mais adulto.
  Para o Inverno 2016, a grife acrescentou referências da natureza ao seu repertório, vistas especialmente nas bonitas estampas de pequenas ou grandes flores, no ótimo efeito de textura de raízes e vegetações. No styling, a sobreposição de peças com mesma cor com prints e tecidos diferentes é recurso para se levar para o dia dia, como a camisa transparente de seda quadriculada, o shorts de bolinhas e o casaco meia manga, tudo em tom amarronzado (foto 41). Os marrons, verdes, azuis e acinzentados, com toques de vermelho, compõem a cartela de cores tanto do feminino – com perfume dos anos 70 e destaque para os vestidos e casacos com manga tipo sino com toque de quimono e as camisas de seda – quanto no masculino, um streetwear cool e jovem, com esse mix de jeanswear, alfaiataria e esporte e destaque para o look de costume azul com amarração de agasalho na cintura, também em alfaiataria (foto 11), um exemplo inteligente dessa mistura do formal com o casual.
  Segundo Adriana, cerca de 10 looks do desfile serão reinterpretados em versões para a coleção comercial. Super usável, o Inverno 2016 merecia mais, muito mais! 








  AMAPÔ

  A Amapô sabe como ninguém dar aquilo que o povo quer em um final de temporada, que é dar show!
  Pitty Taliani a Carô Gold contaram uma história de amor entre dois góticos/vampiros vitorianos que não possuem gênero.
  Aliás, este foi um assunto recorrente nesta temporada. Ronaldo Fraga, João Pimenta, Apartamento 03 fizeram suas representações sobre o tema, mas a Amapô foi além, levando à passarela transexuais vestidos ora de "mulher" ora de "homem".
  Muitas pessoas perguntam se as roupas desfiladas são para serem usadas. Obviamente que ninguém sairá na rua vestido de macacão de teia de aranha. A Amapô cumpre um papel importantíssimo no calendário da moda brasileira, pois através de sua ousadia, nos encanta com o seu processo de criação e seus desdobramentos, que sempre vão além do que nossa imaginação geralmente alcança.
  Mas a marca não ficou só no conceito, as famosas calças boca de sino, que foram incessantemente usadas pelas tops blogueiras e que foi parar até no corpo de Grazi Massafera em Verdades Secretas, já se tornou um clássico e nesta edição, apareceu nas cores turquesa, vermelho e com aplicações de couro. Os modelos skinny em camelo e berinjela também deverão virar um sucesso de vendas.
  O couro foi o material mais usado na coleção, principalmente para os homens, ele apareceu em calças justas ao corpo e jaquetas com o jeitão de anos 80, outro clássico da marca.








  Agora vejam um pouco dos SNAPS que fiz....


  Então aqui encerramos os posts com a cobertura dos desfiles da SPFW inverno 2016. Obrigada por terem me acompanhado durante a semana do evento e por estarem aqui vendo o resumo que fiz com muito carinho para vocês. 
  Beijos!!!

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